Neste sábado, dia 28 de junho, vai acontecer o 1º Educacamp, um evento que pretende reunir professores de diversas áreas para trocar idéias e opiniões de como utilizar as ferramentas da internet 2.0 para auxiliar na educação. Para quem não conhece, ferramentas da internet 2.0 são sites como redes sociais, blogs , podcasts, microblogs, wikis, etc.
Os Camps ou “desconferências” são modelos de eventos onde as discussões podem se dar como debate, bate-papo ou apresentações, mas sempre de forma aberta, colaborativa e democrática. As pautas são decididas na hora, e cada participante participa da grupo que achar mais interessante.
A idéia é que todos os participantes enriqueçam a discussão, contando suas experiências e compartilhando opiniões e críticas. Esse modelo é o mesmo do Barcamp, Blogcamp e da Newscamp, evento que reuniu jornalistas que utilizam ferramentas 2.0 e que aconteceu recentemente em São Paulo.
Para saber um pouco mais sobre o Educacamp, eu conversei com a Lúcia Freitas, do Ladybug Brazil, uma das organizadoras do evento, juntamente com a Ceila Santos do Desabafo de mãe e a Cybele Meyer do Blog Educar Já. Para ouvir a entrevista, basta apertar o play que está no início do Post.
Abaixo, o email enviado para todos os bolsitas CNPq. Nada foi falado ainda sobre as bolsas Capes. (fonte: Amanda)
Reajuste do valor das bolsas a partir de 1/6/2008
Durante a comemoração dos 57 anos do CNPq nesta quarta-feira (30/04), o ministro da Ciência e Tecnologia, Sergio Rezende, anunciou que as bolsas de pós-graduação terão reajustes de 27% e 29% a partir de 1o. de junho deste ano. Assim, a bolsa de Mestrado passa ao valor de R$ 1.200,00 e a de Doutorado para R$ 1.800,00.
Com relação à implementação anteriormente prevista, o atraso se deve à demora na aprovação do Orçamento da União. Em compensação, os aumentos a serem concedidos excedem os 20% anteriormente anunciados.
Para diferenciar um pouco dos posts do Movimento do Blog Voluntário, vou divulgar um trabalho muito interessante do CDI -SP – Comitê para Democratização da Informática aqui de São Paulo. Ao contrário de muitos trabalhos de inclusão digital que se resumem somente ao ensino de Office, Orkut e Messenger, o CDI-SP desenvolve um trabalho de Inclusão Social utilizando a Informática como ferramenta.
“O CDI-São Paulo é uma filial do Comitê para Democratização da Informática, uma organização não-governamental sem fins lucrativos que, desde 1995, desenvolve o trabalho pioneiro de promover a inclusão social utilizando a tecnologia da informação como um instrumento para a construção e o exercício da cidadania.
Atuando na área da Grande São Paulo e entorno, desde 2001, o CDI – São Paulo é responsável por implementar o programa educacional do CDI na capital paulistana através da criação de Escolas de Informática e Cidadania (EICs) em parceria com associações comunitárias, empresas, ONGs, órgãos governamentais e instituições que atendam públicos com necessidades especiais como deficientes físicos e visuais, jovens em situação de conflito com a lei, entre outros, em comunidades de baixa renda.
As Escolas de Informática e Cidadania são espaços informais de ensino, que promovem não só a capacitação técnica em Informática, mas a abertura de novos horizontes para centenas de milhares de jovens através da reflexão e do debate de seus principais temas relacionados à sua realidade social.” (fonte: Site da CDI-SP).
Para falar um pouco sobre os trabalhos de Inclusão digital do CDI-SP, troquei algumas palavras com a Assistente Pedagógica do Comitê, Kalu Newnton Scrivano (na foto, com a Marília, sua filha).
Jonny -O CDI-SP trabalha com Inclusão Social via Inclusão Digital. Como é isso? Kalu - As instituições nas comunidades nos procuram para montar o que chamamos de EICs (Escolas de Informática e Cidadania). Daí doamos 10 computadores (que já foram doados por empresas), capacitamos lideranças comunitárias para serem educadores e damos acompanhamento pedagógico.
Jonny- Bem diferente do que eu já vi por ai, onde inclusão digital = Office + MSN + Orkut… Kalu - Sim, porque se só dermos os computadores a galera sai por aí fazendo o tradicional: aula de word, powerpoint, excel, e nossa proposta é diferente: queremos que as pessoas usem a tecnologia pra conhecer sua realidade. Depois disso, pensar o que querem melhorar nela e por fim, usar a tecnologia para transformar… “Mais do que computadores… conhecimento que transforma”
Jonny - Vocês poderiam fazer isso montando uma biblioteca, um curso EJA (Ensino de Jovens e Adultos), etc. Por que escolheram a informática? Kalu - Na verdade o CDI nasceu há 12 anos lá no Rio de Janeiro (lugar da matriz até hoje). O cara que pensou o projeto (Rodrigo Baggio, na época, empresário e professor de informática no RJ) queria levar computadores para as favelas e aproximar a galera que na época tinha acesso aos computadores a quem tava nos morros. O trabalho começou na linha do Comitê Contra a Fome do Betinho (que era amigo dele), numa linha “a gente não quer só comida, a gente quer comida, diversão e arte!”. E o computador é tudo isso, não é?
Pessoal recebendo computadores montados com peças arrecadadas no mutirão CDI na rodoviária Tietê – 28/03/2008 (foto:site da CDI)
Jonny - mas ai vocês acharam que Office, MSN e Orkut não seria suficiente para “democratizar” a internet, certo? Kalu - Na verdade começou como um contato entre dois mundos diferentes. Daí a coisa foi crescendo e o povo do CDI foi percebendo que não adiantava só dar acesso… que isso não mudava a vida daquelas pessoas. Entraram em contato com a pedagogia de Paulo Freire, pedagogia do oprimido, pedagogia da autonomia.
Jonny - Ai reestruturaram tudo… Kalu - É, resolveram misturar o que o Paulo Freire falava com ensino de informática. Ele falava de leitura de mundo, que não se pode sair da opressão se não houver um conhecimento da realidade. Daí fazemos a leitura de mundo com câmeras digitais, pesquisas na internet, no orkut.
Jonny - Então a inclusão social através da inclusão digital começou quando o pessoal de tecnologia se juntou com o pessoal da educação. Como funciona isso? Kalu - Primeiro fazemos a leitura de mundo com câmeras digitais, pesquisas na internet, no orkut, etc. Depois os educadores provocam os educandos a pensar em o que tem de bom e de ruim na sua realidade
Jonny - E por acaso vocês já pensaram em tentar passar a realidade que eles vivem e não somente tentar captar? Como incentivar eles escreverem na internet, por exemplo… Kalu - Quem capta são os próprios educandos, e não nós. Eles fotografam, entrevistam as outras pessoas, anotam coisas e depois transferem para o computador… Editam os textos, os áudios, mexem nas fotos. E assim vão aprendendo a usar os programas… Na lógica do usuário e não de cursos tipo word I, II ou III.
Jonny - Mas como você já disse, o trabalho não para por ai… Kalu -
Isso mesmo. Depois eles escolhem um problema e aí vem a melhor parte do trabalho. Pensam em ações transformadoras que possam ser feitas com a tecnologia, como um vídeo, uma mobilização pelo orkut, um blog denúncia, coisas do tipo.
Jonny - Fantástico… Kalu - Quanto a eles escreverem na internet é engraçado… Estamos divulgando muito isso, mas eles ainda estão ensaiando os primeiros passos.
Abaixo, um dos vídeos feitos pelos educandos- “Tornar Real” – Organização: EIC Creche Arquinha Equipe: Márcia, Thiago e 25 educandos do programa Agente Jovem
Como continuidade da uma ação iniciada em 2006, o grupo resolveu acabar com o acúmulo de lixo de uma das principais vias da favela Porto Seguro, localizada na zona sul de São Paulo. Maisvídeos no site do CDI-SP)
Jonny - vocês vão para os locais ou as pessoas que procuram vocês? Kalu - Um pouco dos dois. As instituições nos procuram mas a gente também sai divulgando. Por exemplo, este ano vamos abrir a seleção para sete novas eics agora em maio
Jonny - e qual o perfil das pessoas que freqüentam? classe C, D, E, recém alfabetizados … Kalu - Principalmente a galera mais de periferia. Temos eics em penitenciárias, em favelas, para moradores de rua, para albergados, para imigrantes latino-americanos e até em uma comunidade rural. Sempre onde existem pessoas que querem sair da sua situação de opressão. Tem um exemplo que acho muito legal e bastante forte
Jonny - Qual? Kalu - Temos a EIC em parceria com uma entidade que recebe imigrantes latino-americanos, geralmente bolivianos ilegais, que trabalham praticamente como escravos nas oficinas de costura do Brás, Pari, etc. E eles fizeram a leitura de mundo usando internet, revistas, fotos e muito debate. Descobriram daí que um grande problema comum a todos era a questão do preconceito. Então resolveram fazer uma ação transformadora que diminuísse o preconceito. Decidiram fazer um vídeo que mostrasse que os bolivianos e outros imigrantes latino-americanos são pessoas como outras quaisquer e que sonham em melhorar de vida como qualquer um de nós. Isso pra tirar a visão de que são fugidos de seu país, sujos, bandidos… Os educandos montaram juntos o roteiro de um vídeo
Jonny - Muito legal! Tem online? Kalu - Peraí, a história não acabou!! Filmaram uns aos outros Saíram às ruas e filmaram entrevistas na Paulista, com vendedores de rua. A coordenadora da EIC editou o filme e eles resolveram mostrar no Dia Internacional do Imigrante, dezembro passado para iniciarem o debate.
Jonny - Impressionante… Kalu - Até aí foi onde eles planejaram… depois veio o melhor… No Dia Internacional umas pessoas do Ministério da Justiça assistiram o vídeo e pediram para usar na capacitação dos policiais federais de fronteira para sensibilizá-los e melhorar o tratamento dos imigrantes…
Jonny - Bom, e quem quiser participar tanto como aluno ou como voluntário, como fazer? Kalu - Voluntários? Basta procurar a gente ou a EIC perto de onde você quer. Já educandos tem que procurar uma EIC no seu bairro ou então com a realidade que você deseja… Maiores detalhes em http://www.cdisaopaulo.org.br ou no endereço da CDI-SP – Av Francisco Matarazzo, 102 – Barra Funda, telefone 3666-0911
Jonny - Kalu, obrigado pela entrevista… Mais alguma coisa? Kalu - Quero só uma contrapartida, hein? Você divulga no seu blog o festival multimídia de ações comunitárias que estamos organizando??
Jonny - Opa! Assim que começar a divulgação, divulgarei no Infoblog! Pode deixar!!!
Ps: Existe CDI em outros estados também! Eu estava em Curitiba (Paraná) nessas últimas semanas e encontrei um cartaz dentro do elevador do Shopping Jardim das Américas.
Curso Básico de Informática e Cidadania Para jovens, adultos e melhor idade. Windows Word Excel InternetPower Power Point Publisher Taxa de inscrição: 1kg de alimento Apenas R$10,00 o módulo
Matrículas abertas: 15/04 à 16/05
Local: Shopping Jardim das Américas – 2º Andar Horário: 8:00 às 12:00, 13:30 às 17:30 e das 19:30 às 12:30 Telefones: (41)3266-7733 ou (41)3366-5885 ramal 249
Um país rico é um país que consegue desenvolver tecnologia, e não aquele que só reproduz ela em massa. E para inventar novas tecnologias, precisamos cada vez mais de profissionais bem qualificados. Mas por que raios alguém vai tentar fazer uma pós graduação (que normalmente requer 2 ou 3 anos de dedicação integral) sendo que existem muitos empregos no setor privado que necessitam de menos qualificação mas que pagam mais?
Ou pior, a exportação de futuros profissionais qualificados, pois os melhores em suas áreas já estão sendo chamados por universidades estrangeiras para fazer sua pós graduação financiada fora do Brasil e, quem sabe, até ter uma cadeira de pesquisador por lá mesmo. Uma comparação meio boba, mas basta lembrar que na década de 90 começou a exportação de jogadores brasileiros de todas as idades para o mercado Europeu e menos de 20 anos depois temos campeonatos com clubes totalmente falidos.
Para piorar a situação da pesquisa no Brasil, ontem eu estava aqui na Universidade Federal do Paraná (UFPR) acompanhando alguns experimentos da Amanda e acabei encontrando a seguinte carta colada na porta de vidro:
“Reajuste do valor das bolsas Quarta-Feira, 9 de Abril de 2008 | Assessoria de Imprensa da Capes O aumento no valor das bolsas de mestrado e doutorado concedidas pelas agências CAPES e CNPq, previsto para 2008, ainda não pode ser concretizado devido a circunstâncias ocorridas ao longo da tramitação do orçamento geral da União, no Congresso Nacional, quando se verificou substantiva redução no seu valor final por motivo de cortes de receitas fiscais, referentes à extinção da CPMF.
A Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior – CAPES aguarda decisões superiores, relativas à reprogramação orçamentária do Governo, para implantar o aumento proposto, justo anseio dos bolsistas de pós-graduação e desejo manifesto do Presidente da nação. (Diretoria Executiva da Capes)”
Fico triste principalmente pela Amanda, que ficou quase 1 ano fazendo pós sem bolsa, e agora que iria receber seu primeiro aumento, ganhou um “sinto muito… cortamos seu aumento na última hora por causa do fim da CPMF“. Foi bem desmotivante…
Aparelho onde a Amanda está “liofilizando material para a análise posterior por ressonância magnética nuclear do spin dos átomos de carbono 13 dos compostos dissacarídicos da parede celular do material algáceo” (ou algo do tipo… não me pergunte o que significa, só sei que não pode entrar com metal na sala do equipamento)
(avisos antes de entrar)
Para comparar, as bolsas federais (Capes e CNPq) de mestrado passariam de R$ 940,00 para R$ 1.130,00. As bolsas estaduais da Fapesp (Fundação de amparo a pesquisa de São Paulo) para mestrado são R$ 1.248,60 para MS-I (1º ano) e R$ 1.325,70 para MS-II (2º ano) MAIS reserva técnica (compra de passagens, hospedagem, livros, materiais, etc).
No doutorado a diferença fica maior ainda. As bolsas da Capes/CNPq passariam de R$ 1.394,00 para R$ 1.673,00 enquanto na Fapesp a bolsa de doutorado hoje é de R$ 1.840,50 para DR-I (1º ano) e R$ 2.278,20 para DR-II (2º ano) mais reserva técnica.
Pessoalmente, o que acho pior é a ausência de reserva técnica. Para se ter uma idéia, a hospedagem da Amanda em Curitiba está sendo “paitrocinada”. Se não fosse assim, seria impossível terminar os experimentos em São Paulo, já que o único equipamento que faz as anállises que ela precisa só existe aqui na Universidade Federal do Paraná.
Nunca o apelido de CNPouquinho fez tanto juz… Basta lembrar que estagiários (ou seja, não formados) de Engenharia normalmente possuem bolsas-auxilio maiores que um mestrando CNPq…
Jonny Ken Itaya, 30 anos, Gerente de TI e de Marketing, além de ex-biólogo. Trabalha há 10 anos com informática, principalmente na área de edição de fotos, animações flash, administração de rede e programação PHP. Atualmente participa do Decodificando, podcast que fala de aplicação de leis sobre as novas tecnologias (informática e biologia). *São Bernardo do Campo, São Paulo, Brasil. Corinthiano*